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Autolabs - São Paulo - Brasil
 

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TEXTOS SOBRE AUTOLABS

[] Info sobre os distritos em que Autolabs aconteceu
[] Autolabs: Critiquing Utopia, by david garcia (inglês)
[] Fine Young Cannibals, of Brazilian Tactical Media, by david garcia (inglês)
[] The revenge of the low-tech, by ricardo rosas (inglês)
[] Internet, activismo y tactical media
Practicas de resistencia y entusiasmo en Brasil
, de Karla Brunet (espanhol)



OFICINAS

 CRONOGRAMA

DISTRITOS

RELATORIO FINAL

RELATORIO FEV-ABR/04
para os relatórios individuais de cada laboratório, acesse o Blog Coletivo (link abaixo)

IMAGENS, ÁUDIOS, FILMES E FESTIVAL PRODUZIDOS NOS AUTOLABS

[] Blog Coletivo
[] Fotos
[] Historias Digitais Itaquera
[] Historias Digitais Ermelino Matarazzo
[] Histórias Digitais São Miguel Paulista
[] CD Submídia
[] Contratv@Autolabs
[] CD Intrerfusion - Produção Sonora
[] BaseV vs. Autolabs
[] Teodorico
[] Ermelino
[] FindEtático - A Finalização dos Autolabs
[] Guia de Navegação FindEtático

São Paulo é um lugar onde os desigualdades sociais são extremas. É uma cidade completamente global em sua abundância e fome, de universidades avançadas e de problemas de acesso à  infraestruturas básicas, com vilas e lotes alastrando de povos imigrados e desabrigados. Deste fundo os movimentos sociais levantam-se e espalham-se em intensidades diferentes, tentando responder e confrontar a uma situação em que os poderes e governo tendem a chamar de insolúveis. Adicionalmente, o cenário midiático é dominado pelos grandes monopólios, que defendem obviamente os interesses das elites em manter a ordem aparente e um consenso complacente para uma situação social que ousa mostrar sua cara irritada e muitas vezes explodir em motins.

Apesar do dominação dos monopólios dos meios, os projetos de mídia independentes têm uma longa história no Brasil. Durante a última ditadura nos anos 70 surgiram muitas publicações independentes chamadas à época de "imprensa nanica", além de zines, os samizdats e incontáveis revistas culturais contra o governo estabelecido, criando uma espécie de contra-cultura. A partir dos anos 80 este movimento foi reduzindo gradualmente a um mercado "pop" de publicações em desaparecimento. Podia essa situação ser mudada ou, ao menos, ser desafiada? Uma tarefa tão gigantesca exijiria grandes esforços, para a qual os praticantes de mídia tática poderiam fazer muito pouco, ou sequer significativo, a fim minimizar os aspectos devastadores deste cenário midiático quase inteiramente monopolizado. Este dilema foi a razão principal para os organizadores do festival Mídia Tática Brasil fizessem um exame de sua posição, que havia sido quase que completamente baseada num ambiente paulistano, tocando apenas na superfícia do problema. Acreditando na autonomia dos meios, ativistas de mídia conceberam Autolabs, um projeto de laboratórios de mídia tática a serem construidos na periferia, em distritos pobres e favelas de São Paulo.

Criado autonomamente com a ajuda de comunidades locais, Autolabs é pensado para serem protótipos laboratoriais de alfabetização digital dos meios assim como aprendizado técnico das tecnologias de informação e comunicação. Tudo baseado em conceitos táticos, ou seja, meios baratos e de uso DIY (do-it-yourself ou faça-você-mesmo), permitindo a acessibilidade digital de seu meio-ambiente, promovendo o desenvolvimento e a produção individual e/ou coletiva, independente dos meios usados, de uma maneira criativa e usando sistemas operacionais de código aberto e/ou software livre. Autolabs são centros da orientação, da documentação e da auto-instrução com acesso livre e aberto, onde a mediação humana prevalece no processo de alcançar o conhecimento, e onde há uma troca generalizada de saberes que estimulam a participação e o trabalho coletivo.

As oficinas de Autolabs funcionaram de janeiro a julho de 2004, envolvendo 300 jovens entre 17 e 21 de três distritos pobres da periferia de São Paulo: São Miguel Paulista, Ermelino Matarazzo e Itaquera. Foram divididos em quatro unidades:

¤ Núcleo Técnico: Manutenção e Reciclagem de Computadores. Neste módulo os laboratórios são montados em conjunto com os participantes. Aprendizado técnico de manutenção de computadores e composição de hardware reciclado.

¤ Núcleo de Sustentação: TICs para a mídia independente. Alfabetização digital, mobilização e colboração atarvés da Internet, sites dinâmicos e listas de discussão. Princípios do software livre e copyleft.

¤ Núcleo de Mídia Digital: Produção e publicação gráfica e histórias digitais. Produção de mídia digital através da experimentação e publicação gráfica assim como a produção de conteúdo através da conteção de histórias digitais.

¤ Núcleo de Som: Rádio Livre e Rádio Web, DJ-ing e produção de música. Produção sonora, programação livre do rádio e edição/finalização de CDs.

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Pessoas locais das comunidades periféricas criaram seu próprio Autolabs desde seu começo, isto é, reciclando computadores rejeitados e aprendendo a mantê-los, montando um laboratório em um local decidido por uma liderança de sua própria comunidade, aprendendo como usar ativamente as máquinas para produzir seus próprios meios e mostrando os resultados com um Web site coletivo e em eventos planejados para acontecer ao longo do curso que integrarão todos os resultados - filmes, música, programas de rádio, zines e um banco de dados de contação de histórias. Esses eventos aconteceram durante e no fim do curso e compreendem uma semana dos aulas, debates - com teóricos e ativistas de mídia nacionais e estrangeiros - e de um fim de semana festivo que aconteceu em um dos distritos periféricos de ação simultaneamente ao espaço SESC (FindEtático: São Miguel/Centro).

A experiência de Autolabs forneceu entrada a uma importante iniciativa muito maior do governo brasileiro, os pontos de cultura, para criar uma rede de centros interligados entre o brasil, baseado inteiramente em software livre. Atualmente, aproximadamente 200 tais centros estão sendo criados ao redor do país. As planos são de criar mais de 1000 destes centros nos próximos anos.

07/07/2006 por ricardo rosas, re:mixado por tatiana wells